Blog da Escola de Referência e Educação Jovens e Adultos Amaury de Medeiros

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8 de dezembro de 2010

Um convite a quem ama demais

Gosto sempre de frisar que a questão não é o quanto se ama, mas sim o quanto se distorce o amar. Ou seja, estamos falando do “como”. E, nesse caso, tratamos de um vício de comportamento conectado a tudo o que não é amor. Até porque quando estamos em meio à confusão do amar demais não nos amamos.

E se o “amar o próximo como a si mesmo” é a verdade máxima, não amamos. Não nos amamos, não amamos o outro, não amamos a vida. Ou seja: toda vez que encontrar alguém que ama demais, saiba que ele(a) está sobrevivendo mais do que vivendo. Confundindo tudo mais do que amando…

Quem vive dessa maneira, não consegue se dar, não consegue receber, não consegue ver, ouvir, sentir – se não for por meio de outro. Do contrário, nada sente, nada acontece. Nesse sentido, viver em função de alguém ou alguma coisa com um forte sentido de posse, misturado a um controle que beira a doença, não agrega… Afinal, tudo o que precisamos já trazemos conosco, está dentro, é o nosso maior alimento.

Em nosso lugar Encontramos outros, é verdade, que nos alimentam a alma, o saber, o caminhar, mas fazem isso sempre como complemento. Não estão lá conosco para viver a nossa vida, escolher as nossas escolhas, tomar as nossas decisões, viver os nossos sonhos. Estes nos trazem luz toda vez que estivermos abertos para enxergar…

E, nesse contexto, por que não compreender que assim como já somos plenos também é o outro. Então, dar demais ou esperar demais deste não ajuda muito, certo? Por que não trazer o foco para dentro? Mudar o olhar, expandir a consciência, aprender a caminhar?

Por que não buscar ajuda para trabalhar a autoestima, o controle por si mesmo, o resgate da essência, da missão de vida etc, etc. Por que não investir em autoconhecimento e, como diz uma amiga, “lutar todos os dias para fazer um movimento a nosso favor, a nosso bem-estar, a nosso bem-viver”?

Esse trabalho não é fácil, não é simples, não é rápido. Mas é possível. Podemos mudar, podemos evoluir, podemos aprender a amar a nós mesmos e também o outro e então, ganhar mais qualidade de vida.

Roubados O problema de viver uma vida para o outro, em relações não saudáveis, com base na dor e sofrimento, nos tira praticamente tudo. Faz-nos cegos para o que está a nossa volta. Faz-nos surdos para o que poderia transformar a nossa existência. Torna-nos anestesiados, sem brilho, tristes. Sós.

Amar demais, esperar demais, controlar demais, viver demais o que está fora e não nos pertence é uma questão a ser analisada profundamente. Por isso, fica o convite: se estiver nesse círculo ou se conhecer pessoas nessa mesma direção busque ou convide o outro a buscar ajuda.

A vida passa depressa demais e, com ela, nossos sonhos, nossa juventude, nossas oportunidades. A capacidade de dar a volta por cima, recomeçar, redescobrir o que faz bem já está em nós. Basta investir o tempo que “gastamos” com outro exageradamente, em demasia e, trazer o foco para dentro, para o que nos pertence, para o que contribui para nossa auto-percepção, nosso valor, nosso ser.

No mais, a vida com certeza ficará mais possível e colorida. Os sons, os sentidos ficarão mais poéticos, a luz mais iluminada, os sabores mais gostosos. Descobrir a vida a partir do centro faz uma enorme diferença… Experimentar, por isso, é uma escolha que deve ser cultivada dia-a-dia com atitude e, muita, muita disciplina. Escolhas, sempre escolhas!

Por Sandra Maia - Via Yahoo

18 de outubro de 2010

Gravidez na adolescência traz maior risco de depressão



Gravidez na adolescência tem maior risco de depressão 
Pesquisa mostra que jovens não estão preparados para o desafio 

A adolescência é caracterizada por um período de intensas mudanças físicas, sexuais, psicológicas e sociais. É um momento em que o jovem está em plena mudança e ainda buscando a sua própria identidade e testando os seus ideais e suas crenças.

Em uma grande maioria ainda são imaturos e não sabem muito bem definir o querem para suas vidas. Muitos jovens procuram aconselhamento na tentativa de se entenderem melhor. Seja no amor, na opção sexual, na religiosidade ou em sua vocação profissional.

A verdade é que muitos jovens são ambíguos, eles próprios se deparam com suas contradições e oposição de sentimentos, valores e crenças internas. "Quem sou eu?", "O que eu quero para o meu futuro?", são perguntas frequentes que muitos adolescentes e adultos jovens se fazem.

Muitos iniciam uma faculdade e logo em seguida a troca, várias vezes. Em geral, a crise de identidade se instaura no momento da busca do que eles realmente querem fazer e ser.

Depressão e ideias suicidas
Quando esse caminho se torna muito difícil e quando muitos jovens não vêem uma luz no final do túnel, pode se desencadear neles um processo depressivo e até ideação suicida.

Diversos autores apontam para o alto número de adolescentes com ideias suicidas. O Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, revelou um aumento de 26% na taxa de suicídio de jovens entre 15 e 24 anos em nove capitais brasileiras.

Gestação na adolescência
Como seria de se esperar, geralmente a gestação nessa fase da vida também é considerada um momento de crise, pelas mudanças físicas, sociais, econômicas e emocionais associadas à adolescência, intensificando os não poucos conflitos já existentes nesse período.

Muitos estudos demonstram um elevado risco de depressão e suicídio entre adolescentes gestantes. Entretanto, outros apontam para resultados mais otimistas, como é o caso da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Possivelmente por conta da maioria das gestantes adolescentes deste serviço terem desejado a gravidez. Nestas situações, os principais motivos observados foram que por conta da gravidez elas não mais estarão sozinhas, que se sentem agora importantes, que a vida passou a ter um significado e um sentido.

Acredita-se que nestes casos a gestação passa a ser uma alternativa à crise da adolescência, à busca de identidade e ao vazio das transformações.

Agora, a adolescente, grávida, adquire um importante status social no papel de mãe e encontra sentido em viver, pois terá importância na vida de alguém. No entanto, sabe-se que a gestação nesta fase da vida é muito idealizada, dificultando o contato real com as obrigações e as dificuldades de ser mãe.

A grande maioria das adolescentes que engravidam em idades tão precoces, continua sendo sustentada pelos pais e morando com eles, dificultando ainda mais o estudo e o trabalho.

Pais na adolescência
O pai, também adolescente, geralmente quer "estudar e aproveitar a vida" e muitos acabam "deixando pra trás" a responsabilidade de assumirem o papel de pai. Não raro são as avós que abarcam esse papel. São as conhecidas avós-mães.

E para uma boa parte das adolescentes, após o parto, surge, implacavelmente, a depressão. Com o intuito de minimizar os riscos de depressão pós-parto e auxiliar as adolescentes no processo da maternidade, algumas maternidades desenvolvem durante todo o pré-natal, um trabalho em equipe, ensinando, discutindo, orientando.

Consegue-se, assim, um baixo índice de depressão pós-parto (2%), e, por consequência, de ideações suicidas. A situação não é tão diferente em outros países. Pesquisadores britânicos descobriram que muitos pais jovens vivenciam depressão durante os primeiros 12 anos de vida de seus filhos, mas o risco é maior durante o primeiro ano após o nascimento de uma criança.

Pesquisadores no Reino Unido analisaram 86.957 famílias atendidas em clínicas de cuidados primários, entre 1993 e 2007, a fim de identificar pais jovens com depressão. Viu-se que mais de um terço das mães e cerca de um quinto dos pais tiveram um episódio de depressão entre o nascimento de seu filho e os próximos 12 anos.

Cerca de 20 mil mães tiveram um total de 25.176 episódios de depressão e 8.012 pais tinham um total de 9.683 episódios de depressão. Globalmente, as taxas de depressão nas mães foram 7,53 % contra 2,69% nos pais, ao ano.

As taxas durante o primeiro ano após o nascimento de uma criança foram de 13,93% nas mães contra 3,56% nos pais, corroborando os nossos achados de que as mães jovens sofrem mais de depressão do que os pais jovens.

Os altos índices de depressão no pós-parto não são surpreendentes, devido ao estresse potencial associado ao nascimento de um bebê, escreveu Dave Shreya, do Medical Research Council, em Londres.

As pesquisas mostraram que a depressão ocorreu mais nos jovens entre 15 e 24 anos, quando o filho nasceu, e naqueles que eram socialmente mais desfavorecidas, de acordo com o estudo, publicado na revista Archives of Pediatrics & Medicina do Adolescente.

Relação entre depressão e pais mais jovens
Existe uma relação bem estabelecida entre depressão e pais mais jovens, por estarem menos preparados para a maternidade/paternidade.

Nas classes menos favorecidas, vemos mais gravidezes não planejadas e esses jovens pais podem ficar ainda menos capazes de lidar com as tensões da paternidade em comparação com pais de mais idade.

Um ponto importante que não podemos deixar passar é o de fazermos uma triagem psiquiátrica nas jovens grávidas, colhendo uma história detalhada da gestante. Problemas como o transtorno de humor bipolar e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade sabidamente cursam com um número maior de gestações precoces, uma vez que levam a comportamentos impulsivos.

Trabalhos educativos na população sobre o significado da maternidade na adolescência e todo o ônus a ser arcado pelas famílias, devem ser amplamente divulgados em nosso país.

Retidado de: Yahoo!
Por: Tia Jana 

26 de setembro de 2009

SURRAS DIMINUEM O Q.I DAS CRIANÇAS, AFIRMA ESTUDO

Uma boa surra pode deixar uma marca na criança que é pior do que o desenho vermelho das mãos. Palmadas e outras punições corporais atrasam a inteligência infantil, segundo demonstra um novo estudo.

O Q.I. (quociente de inteligência) de crianças entre 2 e 4 anos que receberam palmadas regulares de seus pais caiu mais de cinco pontos no decorrer de quatro anos, comparado com o de crianças que não levaram palmadas.

"O lado prático disso é que os pediatras e psicólogos precisam começar a fazer o que nenhum deles faz agora, e dizer, 'não batam, sob qualquer circunstância'", diz Murray Straus, sociólogo da Universidade de New Hampshire, em Durham, que capitaneou o estudo juntamente a Mallie Paschall, do Centro de Pesquisa e Prevenção em Berkeley, na Califórnia.

Sem desculpas

Essas não são as primeiras evidências de que bater em crianças traz um custo: muitos estudos prévios já sugeriam a associação, e um estudo recente a partir de tomografias do cérebro descobriu que crianças severamente castigadas com surra tiveram baixo desempenho cerebral na faixa "verde" --que inclui neurônios-- comparadas com outras crianças. Estresse, ansiedade e medo talvez expliquem por que surras tornam lento o desenvolvimento cognitivo.

No entanto, os novos pesquisadores fazem uma ligação mais forte no relacionamento de causa e efeito entre surras e inteligência do que outros estudos, afirma Elizabeth Gershoff, pesquisadora de desenvolvimento infantil da Universidade do Texas, que não está envolvida no novo trabalho. Isso porque ele examina crianças no decorrer de quatro anos, além de calcular muitas variáveis passíveis de confusão, como a etnia dos pais, educação e se eles faziam leituras para as crianças ou não.

Straus e Paschall analisaram dados coletados nos anos 1980 como parte de uma pesquisa nacional de saúde infantil. Em 1986, um estudo anterior mensurou o Q.I. de 1.510 crianças com idade entre 2 e 9 anos, e também observou a frequência suas mães as submetiam a punições corporais. Os pesquisadores repetiram os testes quatro anos depois.

Os pesquisadores separaram as crianças em dois grupos de idade --2 a 4 anos e 5 a 9-- porque alguns psicólogos infantis afirmam que surras ocasionais são aceitáveis em crianças mais novas, mas não em crianças mais velhas.

Abaixo às palmadas

As projeções revelaram que 93% das mães que bateram em crianças de 2 a 4 anos ao menos uma vez por semana, e que 58% recorreram à disciplina física com crianças mais velhas. Quase metade das mães das crianças mais novas bateram em seus filhos três ou mais vezes por semana, apontaram Straus e Paschall.

Quatro anos depois, as crianças mais novas que jamais apanharam de suas mães tiveram um ganho de 5.5 pontos de Q.I., se comparadas com crianças que sofreram punições corporais, enquanto os mais velhos que não apanharam ganharam 2 pontos de Q.I. em relação aos que apanharam.

Estes resultados põem em dúvida a prática de surra apenas nas crianças mais novas, diz Straus. "Uma das ironias mais cruéis é que as crianças novas são mais propensas a risco porque seus cérebros têm partes de desenvolvimento ainda em formação".

Apesar da conclusão dos cientistas, a palmada não é uma garantia de mediocridade intelectual.

Nas crianças mais novas, o atributo que fez mais diferença para a pontuação do Q.I. era se as mães estimulavam ou não a capacidade cognitiva. Isto era mais importante do que qualquer outra coisa, incluindo o castigo corporal.

"Digamos que você tem uma criança que tem pais educados, que apoiam e dão estimulação cognitiva, mas que batem: estas crianças vão ficar bem de qualquer modo, talvez não tão bem se não apanhassem", afirma Strauss.

Entretanto, ele tem pouca paciência com o argumento de que a surra complementa aquilo que a disciplina não cobre. "A pesquisa simplesmente não mostra isso", diz ele. "Bater não funciona melhor com crianças pequenas".

"Eu bati nos meus filhos quando eles eram pequenos: desejo que não isso não aconteça, agora que sei a respeito". New Scientist, via Folha Online

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