Blog da Escola de Referência e Educação Jovens e Adultos Amaury de Medeiros

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7 de dezembro de 2010

Redação erótica

Recebi essa pérola via e-mail, infelizmente, a autoria desse texto genial foi omitida. Um crime! Mesmo assim, resolvi postar aqui no blog rogando a quem souber o nome do autor dessa obra que entre em contato para que os devidos créditos sejam dados . Deleitem-se!

REDAÇÃO DE ALUNA DA UFPE

Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

Redação erótica

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Postado por Ed Cavalcante

4 de maio de 2009

A LINGUAGEM DO MSN

Muitos profissionais da área da educação estabelecem extensas discussões a respeito da forma como algumas pessoas, principalmente jovens, escrevem através de Messenger ou outros canais de comunicação online ou não. É natural apontarem a pressa do dia a dia como a causa do uso excessivo de abreviações. Porém, é de nosso conhecimento que várias pessoas mesmo em meio a uma rotina extensa de atividades que diariamente precisam realizar, não utilizam abreviações nem ao menos parecidas com as que vemos ao nos comunicar com alunos ou outros jovens através do Messenger. Por isso, a pressa não pode ser apontada como a única causa do uso excessivo de abreviações. Contudo, professores, pais ou quaisquer outros cidadãos que não aprovam, pelo menos num primeiro momento, esse tal comportamento, precisamos compreender que não é muito lógico corrigir os que assim desejam escrever através da comunicação do Messenger, pois a linguagem deve ser usada como vestimenta, ou seja, para cada ambiente um conjunto de peças de determinado estilo deve ser escolhido. E é nesse ponto que a questão da escrita dos nossos jovens deve ser pensada.

Todo professor deve empenhar-se para transformar alunos em cidadãos capazes de discernir o momento adequado para cada forma de comunicação. A pergunta que todos nós precisamos buscar uma resposta é: Será que nossos alunos sabem adaptar a linguagem a diferentes ocasiões? Será que realmente sabem a diferença entre escrever uma carta de amor e escrever um memorando para os funcionários de uma empresa? Sabem a diferença entre um manual de vídeo-game e de uma receita de bolo? O que ocorre é que muitas vezes nas nossas aulas de língua portuguesa nós nos preocupamos excessivamente com o ensino de nomenclaturas gramaticais, e não fornecemos aos nossos alunos a competência necessária para se expressarem em diversas formas ante a assuntos de diversas ordens.

É interessante atentarmos também que algumas formas de linguagem são alvo de preconceitos, o que tem desencadeado uma série de discussões a este respeito, e que causam bloqueios nos estudantes no que se refere às aulas de língua portuguesa se acaso sentirem-se excluídos apenas pelo modo de se expressarem em situações de informalidade. Como profissionais comprometidos com o bom desempenho de nossos alunos no mundo fora da escola devemos nos empenhar para que o jovem estudante conheça não apenas a linguagem do grupo social ou familiar que pertence, mas também as várias outras formas de se estabelecer comunicação.

O problema não é se a linguagem que os jovens usam na internet é ou não prejudicial, pois todo aluno bem-instruído jamais utilizará tais abreviações em provas de vestibulares ou concursos, por exemplo. Precisamos de métodos eficazes que integram verdadeiramente o jovem estudante ao mundo da leitura. Se os nossos jovens tiverem acesso a diversos gêneros de leitura e os entenderem como uma rica fonte de informações, experimentarão aumento significativo no vocabulário e saberão adequá-los a cada ambiente em que estiverem presentes.

Por: Erika de Souza Bueno Consultora Pedagógica em Língua Portuguesa do Planeta Educação; Graduanda em Letras pela Universidade Metodista de São Paulo.

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