Blog da Escola de Referência e Educação Jovens e Adultos Amaury de Medeiros

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24 de outubro de 2008

ENTREVISTA: TRIBOS DA ESCOLA - A ESTÉTICA EMO

O Amaury Online inicia hoje uma série de entrevistas intituladas :TRIBOS DA ESCOLA. Nelas ,abordaremos a temática do comportamento tentando entender os diversos grupos e movimentos jovens que fazem parte, não só do universo escolar mas ,de toda a sociedade. Para essa primeira entrevista, convidamos um representante do movimento Emo. Nascido Diogo Felipe Moraes de Lima, ao adotar a nova estética, passou a atender pelo codinome “Kamui”, influência dos animes e mangás, outra febre entre os jovens. Conheça agora um pouco da personalidade do “Diogo”, que trataremos nessa entrevista pelo seu codinome emo, Kamui.

Por: Edvaldo Cavalcante

Nota: clique nas palavras em destaque para ter referências sobre os termos

Amaury Online: Andei pesquisando sobre emos, clubbers e afins para ter subsídio para essa entrevista. Acabei descobrindo que esse universo é um tanto quanto indefinido. Em cada lugar existe uma estética diferente. Gostaria de saber se essa estética que vocês adotam tem um ideal ou vocês são emos de butique?

Kamui: Não, pelo menos da minha parte, fica mais no ideal mesmo. O meu estilo é muito parecido com o emo porque ele é muito puxado para o “Indie” ,estilo derivado do “Glam Rock” que é da década de 80, criado por David Bowie tendo como ideal ser uma coisa realmente mais chique, mais despojada, mais...realmente de butique, só que sem deixar a atitude e o estilo de lado. Não é uma coisa vazia!

A O: O que você fala não é um discurso reproduzido, é pensamento seu mesmo?

Kamui: Não, não, porque rótulo não é uma coisa muito agradável não. Ninguém gosta de ser rotulado

A O: Ser diferente é bom? Quais as vantagens e desvantagens?

Kamui: Bem, vantagens são poucas, quase nenhuma porque o diferencial da gente, o que a gente vê como vantagem são as desvantagens dos outros. Eu gosto de ser diferente, normalidade pra mim é banal. Ser banal pra mim é ser idiota!

A O: Vocês enfrentam algum tipo de preconceito na escola ou em casa?

Kamui: Todos (risos). Todos, todos: xingados, abusados, confundidos. Tudo que você imaginar

AO: Confundidos como?

Kamui: Confundidos porque, tipo, a galera não sabe, tipo, as pessoas que estão no meio underground, que é o meio mais conhecido, a galera curte mais (música) eletrônica, até quem curte mais “Rave” e essas coisas, são diferentes dos “normais” que curtem brega. As pessoas não sabem diferenciar. Aí, quando te encontram na rua, olham pra você e falam: “oh ,meu Deus o que é isso?” Principalmente os evangélicos, que são bem radicais ,que chegam pra você e dizem: “Jesus te ama!”

A O:Vocês se divertem de que forma? Existe um programa comum para quem adota essa estética?

Kamui: Os encontros! A galera que curte mais o estilo Emo e derivados faz muitos encontros. Agora, dia 08 de novembro, vai ter no shopping Recife o encontro dos “fotologs do Recife.

A O: Vai ser em que área do Shopping?

Kamui: No fumódromo! É uma galera que lida com fotolog, posta todo dia.

A O: Tem algum apoio? Sites, entidades?

Kamui: Não, começou com um garoto que era da comissão julgadora do fotolog. Ele veio pra cá e começou a fazer. Depois uns amigos meus, “Tony Biel” e “William” ,fizeram o primeiro ano. Agora que tá organizado é só o “Biel”. Já estamos no terceiro ano.

A O: Costumeiramente os Emos e tribos afins são relacionados ao homossexualismo. Como vocês se posicionam sobre isso? A estética que vocês adotam influencia a sexualidade.

Kamui: Eu acho que em muitas pessoas não e outras pessoas sim porque derivado mesmo do emo que foi um estilo criado lá nos Estados Unidos, o “Emocore”, ou melhor, o “New Emocore”, porque o “Emocore” é dos anos 80. Realmente, uma das coisas que definem os emos é o bissexualismo. Todos eles lá são bissexuais.

A O: Androginia?

Kamui: Sim, androginia. Só que aqui (no Brasil) a galera não pega tão pesado

A O: Como anda a vida afetiva de vocês? Estão namorando, ficando? Podem falar sobre isso?

Kamui: (risos) não, não. Não gosto do rótulo do emo por isso. Sempre estão chorando. Tem até a piada: Qual a diferença entre um clubber e um emo? Você põe os dois no escuro ,aí você descobre :porque o clubber brilha e o emo chora. (risos)

A O: Desconversou e saiu pela tangente. Vocês escutam mais músicas estrangeiras, correto?

Kamui: É, muito, muito mesmo!

A O: Tem uma cena do rock que foi inaugurada pelo pessoal do Detonautas que é tachado como derivado do Green Day. Esse som é constantemente relacionado aos emos

Kamui: Não, não, o Detonautas é diferente dos emos, apesar de ser contemporâneo. As bandas mais emo são “NX Zero”, “Fresno” o “Forfun”, o “Strike”.

A O: Você curte todas essas bandas?

Kamui: Não, mais o NX0, não gosto do “Fresno”. Escuto algumas músicas do Forfun e Straike

A O: Por que os jovens de hoje não encaram mais a escola com seriedade?

Kamui: É por falta de motivação e por influência da cultura de massa. Eu tenho minha cabeça própria, mas vejo muitos jovens que vão pelo que os outros dizem e terminam se lascando!

A O: O grupo a que vocês pertencem tem rivalidade com algum outro grupo?

Kamui: Não, eu tenho os meus amigos que conheço desde pequeno. A maioria deles curte metal. Eu escuto mais emocore, glam rock. No meu outro grupo ,que são os meus amigos gays, é óbvio que é impossível a gente se dar bem com quem curte pagode, brega. Tem os punks ,que não gostam da gente, mas eu até acho o movimento punk bem legal.

A O: Qual o último livro que você leu?

Kamui: Tem um livro que eu tô lendo atualmente que é o “Vampiro Lestat” Tá inclusive aqui comigo. É um livro da Anne Rice.

A O: Qual a importâcia que vocês dão à religião ou à religiosidade? Vocês seguem algum credo?

Kamui: Eu me considero um adepto do “Wicca”.

A O: O que é isso?

Kamui: É a antiga religião das bruxas ,uma coisa mais puxada para o naturalismo.

A O: Religiões pagãs?

Kamui: É isso, religiões pagãs!

A O: Você pretende continuar estudando? Irá tentar vestibular em que área?

Kamui: Em moda. Eu estou vendo se faço aqui mesmo ou se vou para Curitiba

A O: Você tem alguma experiência na área, fora as roupas que você veste?

Kamui: É, eu sempre desenhei, gosto disso!

A O: Pra finalizar, qual a melhor e a pior lembrança que vocês guardarão da escola?

Kamui: A melhor lembrança, com certeza, será desse terceiro ano, chegando ao final de um caminho. Já o pior, foi uma briga com uma professora.

A O: Valeu, meu nobre, gostei do papo.

Kamui: Ei, tem uma coisa que eu queria acrescentar. A maioria das pessoas que curtem esse estilo, assim como o meu, tem um codinome. Bom, ninguém me conhece por Diogo, eu sou conhecido por Kamui

A O: Isso tem relação com Anime, Mangá?

Kamui: Isso, Anime e Mangá

A O: Mais uma vez, obrigado e juízo!

19 de setembro de 2008

ENTREVISTA COM A PROFESSORA CATARINA VILAR

O Blog Amaury Online inicia hoje uma série de entrevistas com professores da escola Amaury de Medeiros. Escolhemos para a estréia a professora Catarina Vilar, um dos esteios dessa instituição. Lecionando na escola há mais de trinta anos, essa professora é uma verdadeira lenda. Ao longo da carreira, Catarina coleciona muitas glórias e polêmicas. Por ser uma profissional exigente é incompreendida por alguns, amada por muitos e respeitada por todos. A personalidade forte e o espírito contestador são as principais marcas dessa paraibana de Taperoá.

Por: Edvaldo Cavalcante

AMAURY ONLINE: No prólogo da entrevista eu falo que a senhora tem mais de 30 anos de docência. Gostaria de saber em que ano a senhora se formou, por que decidiu ser professora e por que veio morar no Recife.

CATARINA- Eu me formei em 1963 na Faculdade de Filosofia de Campina Grande. Nesse tempo nós tínhamos poucas opções de cursos, mas eu acho que acertei na profissão porque gosto do que faço. Tanto que faz mais de 30 anos que eu estou nessa profissão e não me arrependo de jeito nenhum. Vou continuar enquanto puder. Eu vim pro Recife porque meu marido trabalhava aqui aí eu tive que vir pra cá.

AMAURY ONLINE - Durante todos esses anos de profissão, qual o melhor momento da escola pública e qual o pior?

CATARINA – O pior momento é o que estamos passando agora, sem dúvida. O melhor? Quando eu entrei ainda tínhamos bons momentos. Nós éramos respeitados, tínhamos condições de dar aula, não existia tanta violência na escola. Hoje tem tudo isso.

AMAURY ONLINE - Que conselho a senhora daria para os jovens de hoje que sonham em ser professor?

CATARINA - Só faça isso se tiver vocação. Não vá pra ganhar dinheiro ou só para arranjar um trabalho. Dinheiro você não ganha. Só entre se tiver vocação porque aí você enfrenta todos os problemas como eu enfrentei até hoje!

AMAURY ONLINE - Nos últimos quatro anos, o governo do estado patrocinou para os professores, cursos de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento. A disciplina de inglês não foi incluída. Qual a sua opinião sobre isso?

CATARINA- Não sei te dizer. Acho que o governo não pensa num todo. Na escola particular os alunos têm mais condições de desenvolver porque fazem curso de inglês particular...

AMAURY ONLINE - Existe uma tendência clara para a introdução do espanhol. A senhora acha que isso pode ter influenciado na exclusão da disciplina de inglês?

CATARINA – Eu acho que não, não!

AMAURY ONLINE - Uma das principais queixas dos professores ,hoje em dia ,é a falta de interesse dos alunos. Na sua opinião, por que os jovens não encaram mais a escola com seriedade?

CATARINA - (Catarina faz uma pausa, fica pensativa e sentencia) O problema básico está na família. Eles chegam na escola achando que estão fazendo um favor aos pais, fazendo favor ao professor. Falta base para acompanhar as aulas. A única meta é passar de ano sem nenhum objetivo.

AMAURY ONLINE - Por ser muito exigente a senhora quase sempre é vista como “chata”. Apesar disso, em algumas comunidades do Orkut, o seu nome é o mais lembrado como professora preferida. Explique esse paradoxo.

CATARINA - Eu digo sempre pra eles que esse título é o que mais me honra aqui no Amaury. Porque quando ele diz: “a chata” eu entendo que é aquela que está cumprindo com sua obrigação. Agora, eles falam isso, mas depois reconhecem. Quando passa a fase da adolescência eles reconhecem que eu faço isso para o bem deles.

AMAURY ONLINE - Um dos momentos mais difíceis da vida da senhora, todos nós sabemos, foi a perda do seu filho. Como se supera uma dor dessas?

CATARINA- Deus é que sabe, mas eu acho que o meu trabalho me ajudou muito. Se eu tivesse ficado em casa, pensando nisso ,eu acho que já teria morrido. Deus mostra um caminho e a gente tem que seguir.

AMAURY ONLINE - Qual a sua experiência em escola particular?

CATARINA- Faz tempo. Na Paraíba eu ensinei no Alfredo Dantas, aqui eu lecionei um tempo no Santa Bárbara. A diferença é que na escola pública temos que lidar com problemas sociais sérios. Mas, muitas vezes, tem escolas particulares em que a situação é muito pior.

Bate bola

* Catarina Vilar por Catarina Vilar: Sei lá.. rsss Indefinível

*Catarina fica feliz quando: Minha família está feliz

*Catarina fica triste quando: tem alguém infeliz na minha família

*Escritor favorito: Não tenho preferência pelo escritor e sim pela literatura

*Livro de cabeceira: Não tenho!

*Na tv gosta de ver: O que prestar! rssss

*Na tv não vê de jeito nenhum: “Lucianta Jumenta” (Luciana Gimenes) rssssssssss

*Filme preferido: ???????????????

*Ator e atriz preferidos: Tony Ramos e Glória Menezes

*Prato preferido: Qualquer um que eu não tenha feito! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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